O que as belezas das premiações me falam sobre as belezas da vida real

Aberta a temporada de premiações de cinema, e eu, costumeiramente, sempre faço um apanhadinho dos meus looks de beleza favoritos no Instagram, e adiciono uns comentários sobre o que observei, etc. Não é minha intenção me posicionar como uma espécie de coolhunter da beleza ou analítica de tendências; eu só gosto mesmo de passar uma peneira nas imagens que eu vejo, peneira essa que me ajude, de certa forma, a ler alguns padrões de comportamento e indicadores para a minha vida, meu trabalho, e que inspire também as minhas clientes. Eu sempre fui muito observadora, e observando muito a gente começa a emitir bastante opinião (palpiteira que chama)! Então que seja! haha!

Dito isso, eu gostaria de emitir opiniões sobre o que eu vi no red carpet do último Globo de Ouro, que aconteceu dia 6 de janeiro. Estou ciente que, num mundo de informações instantâneas, esse post vai entrar no ar bem atrasadinho. Mas vamos todos combinar que não se trata de uma “cobertura do evento”, e sim de umas reflexões sobre beleza que podem vir a te interessar!

Comecemos, então!

  1. COR – e mais, combinando com o vestido! Is it the 00’s all over again?

Lá por meados de 2003 a minha melhor amiga usava tudo combinando. Quando eu digo que era tudo, era tudo. Só a calça ou saia eram jeans, porque se a blusinha fosse rosa, assim também seriam o cinto, sapato, brincos, e muito provavelmente a bolsa. Na época eu achava um pouco demais, eu era muito emo pra reconhecer que ela estava arrasando no color blocking, muito mais do que meus cintos de rebites e meu Mad Rats quadriculado!

Mas então, avançamos nós todos anos adentro da casa dos 2000…

Eu não sei dizer se foram as Kardashians ou quem, mas alguém elevou o marrom a status de única cor possível na maquiagem de olhos a uns 3 anos atrás. Falo isso como maquiadora que atende o público diretamente em um salão, que prepara as mulheres pra festas e eventos sociais. Marrom é chique, e isso eu afirmo mesmo. É certo, é seguro. Se criarmos uma paleta de cores imaginária que contemple todos os tons de pele, ela contemplará inúmeras variações de marrom. Por isso que essa cor dá tão certo, porque harmoniza com os tons que naturalmente estão em nós e não nos tira da zona de conforto. Mas não, ele não é a única cor possível!

Lá por meados de 2017 as clientes começaram a querer usar tons de rosa na sombra. Nosso rubor natural nas maçãs do rosto varia entre tons de rosa, e que é por isso essa cor também traz um certo conforto-ousado, ou ousadia-confortável quando a usamos. Ela está na nossa pele, no nosso natural. E foi aí que o rosinha deu as mãos ao marrom, e dominaram toda cena da beleza social, invictos!

Me deixem dizer, antes de prosseguir, que tanto o marrom quanto o rosa são lindos e tá tudo bem usar, ok? Ok.

Eu gosto de cor. É coisa minha. Então eu, vira e mexe, uso uma sombra amarela, um delineador azul, uma máscara de cílios roxa… pra mim não é difícil porque eu realmente me sinto confortável borboletando por aí. Mas todas as vezes que me maquio assim, pelo menos uma pessoa fala algo do tipo: “que coisa mais linda! Queria eu ter coragem de usar!” Isso sempre me leva a pensar: o que será que impede que a maioria das pessoas que aprovam cor na maquiagem, não usem cor?

Nós somos bastante movidos pelo meio, e em um meio social onde o marrom e o rosa são os sinônimos determinantes de elegância, difícil arriscar! Não quero entrar num ponto de crítica social, não é isso, é mais pra gente pensar mesmo. A verdade é que eu achei o máximo essas celebs todas usando cores. Porque se é preciso validação social pra gente arriscar, que seja! Tudo na vida é um processo! Mas se no seu processo já existe um desejo de arriscar cores novas, pergunto agora diretamente: “o que te impede?” Precisamos ser mais fiéis à essas nossas vontades estéticas… A vida é muito curta pra quem gosta de azul só ir para as festinhas usando tons neutros!

Você não precisa começar com o verde vibrante em toda pálpebra tal qual Camila Belle, mas pode começar com um verdinho água como a Emily Blunt! Ou com outro tom qualquer só no cantinho interno do olho! Busque referências, pesquise imagens que te agradem e que não tenham sido diretamente orientadas por alguém, do tipo, “agora tá usando rosa, você devia tentar!” Você devia tentar aquele laranja mesmo que você sempre quis, nem que seja bem pouquinho!

E se combinar com a roupa ainda é too much pra você, sem problemas. Combine com uma roupitcha neutra e seja colorificamente feliz!

2. My beloved BLUSH!

Quem me segue no Instagram a algum tempo já sabe que eu pareço um disco arranhado falando de blush nas maçãs! Vou usar um argumento ali de cima pra reforçar meus motivos!

Quando você corre, ou está com vergonha, ou com calor, de que cor ficam as maçãs do seu rosto?

Eu sou defensora da pele natural, da cobertura apenas suficiente, do “menos é mais” na pele, porque eu acho que mesmo brincando com cores, ou mesmo numa festa bem chique e de noite, eu ainda quero me parecer comigo! Mas vamos falar mais disso no próximo ponto. Queria só explicar que blush chama tão forte esse aspecto de naturalidade justamente porque corar é natural!

Procure um tom de blush que se assemelhe mais com o seu “corar” (cada pele tem um) se quiser um efeito mais confortável pra você, mas seja livre pra testar tons diferentes! Minhas bochechas coram de forma mais avermelhadinha, inclusive eu uso muito um blush que tem esse efeito, mas eu também AMO blushs bem rosados. Tem uma pegada etérea que acho a coisa mais amor, então eu uso também quando é esse meu estado de espírito.

Para o dia a dia, blushs cremosos são perfeitos, porque aderem bem à pele. Pra uma festinha, use o cremoso e sele com o blush em pó. Você vai chocar no quanto vai durar!

3. Naturalmente

Em maio de 2018 saiu uma matéria no FFW sobre a influência das mulheres no mercado de beleza. As maquiadoras que participaram são algumas das minhas maiores referências enquanto profissional: Vanessa Rozan, Amanda Schön e Carla Biriba. A matéria é ótima e faz a gente pensar bastante sobre a relação das mulheres com o mercado de beleza, mas o que mais ficou comigo foi o pensamento de que, até poucos anos atrás, o mercado de beleza era formado basicamente por homens. Maquiadores, diretores de arte, fotógrafos, especialistas em retoque… Naturalmente, os padrões começaram a caminhar para uma visão masculina da beleza da mulher. Essa beleza, muito construída, apontava (e ainda aponta) para uma mulher que é mais idealizada do que real.

Com o aumento do número de mulheres atuando diretamente no mercado, pensando e comunicando beleza, criando ao invés de apenas consumindo, é notório o quanto as coisas tem mudado. Uma beleza que reflete mais quem somos, e não somente como alguém gostaria que fôssemos. Eu perguntei uma vez em um workshop que dei, quantas mulheres se sentiam completamente confortáveis com uma base de alta cobertura no rosto, acompanhada de uma generosa camada de pó por cima. Não foi uma surpresa pra mim quando ninguém levantou a mão. E esse sentimento das mulheres tem sido, finalmente, expressado em forma de maquiagem por muitos profissionais, e aderido por muitas pessoas. Peles mais leves, acabamentos mais verdadeiros. Menos contorno, mais blush, iluminação na medida. Red carpets também gritam essa nova forma de se maquiar a algum tempo, e isso é libertador!

E além de tudo, a pele mais natural não te camufla. Falo por mim e pela maioria das mulheres que conversam comigo sobre isso quando digo que, além de tudo, queremos ter cara de nós mesmas quando estamos maquiadas. Então por que tantas camadas?

Outro fator interessante que reforça essa cultura do reboco é que no Brasil fomos ensinadas que não há maquiagem que sobreviva ao clima tropical. A não ser, é claro, muito pó. Pele matte. Seca. Árida. Porcelanada. Lisa. Sem poros. “Meu Deus, que pele perfeita!” Impecável. Sem defeitos. Irreal. Irreal? A gente é de verdade, com poros, marcas e rugas. Por que será que, pra nos sentirmos bonitas, não basta amenizar esses detalhes, mas temos que eliminá-los da face da Terra, assumindo uma estética completamente fabricada?

Ainda sobre a pele matte e extremamente coberta de pó, ela não é a única forma de viver belíssima em clima tropical, eu juro! Mas isso eu ensino em alguns tutoriais e conversas futuras. Hoje eu quero mesmo é convidar você pra refletir sobre seus valores enquanto alguém que se embeleza. A pensar no que te faz sentir você, e no que você faz porque “todo mundo” sempre disse que é assim que tem que ser. E a entender que existe mais no mundo da maquiagem do que tutoriais de cut crease com 4 tons de degradê. Ah, e “todo mundo” não existe. Você sim. Então olhe pra dentro de você e conheça o que te faz sentir linda e feliz.

Esse também é meu primeiro post no blog, meio assim, experimental. Mas quero usar esse espaço pra falar de beleza da forma como eu acredito nela, e espero que seja algo legal para pensarmos juntos!

15 comentários sobre “O que as belezas das premiações me falam sobre as belezas da vida real

      1. Que delícia ler esse comentário! Obrigada de coração Marcela! Eu sou ensinar sobre o blush logo! Já vou falar um pouco sobre no próximo post, que vai ser a segunda parte sobre o passo a passo de preparo de pele… Espero que goste! ❤

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